Conheça algumas ferramentas da segurança empresarial

A implantação de um projeto de segurança deve contar com o apoio dos funcionários e isso só é possível através de uma campanha especifica onde o projeto apresente uma face amigável aos empregados, de apoio, de compartilhamento na busca de soluções de segurança.

Os crimes contra o patrimônio ocorrem por diversos fatores que, muitas vezes, facilitam a ação do meliante e dá as condições ideais para suas ações.

Contra o crime planejado, aquele que foi estudado e está devidamente estruturado para sua concretização, dificilmente conseguiremos impedi-lo. Será necessário todo um planejamento e a perfeita integração entre os recursos humanos, os meios organizacionais e os equipamentos de segurança para que, juntos, de maneira integrada, consigam dissuadir ou retardar ou ainda apresentar uma pronta resposta adequada para que o crime não se concretize.

Daí a necessidade de um projeto bem elaborado que dê condições desta integração dos sistemas de segurança.

Ocorre que muitas vezes a busca pela vigilância natural é deixada em segundo plano, quando o ambiente não é levado em consideração, mesmo sabendo que o ambiente propicio para a segurança ou a vigilância natural tem custos muito baixos se comparados aos equipamentos eletrônicos de segurança.

Um não substitui o outro, apenas se complementam.

Na busca pela segurança adequada para uma determinada empresa, os custos sempre serão levados em consideração e a necessidade de integração dos sistemas de segurança será exigida - em todos os casos.

Uma ferramenta que pode ser utilizada na busca da vigilância natural é o emprego do conceito conhecido internacionalmente como CPTED: Crime Prevention Through Environmental Design,que pode ser traduzido como Prevenção Criminal Através do Desenho Ambiental.

Um arquiteto chamado Oscar Newman foi um dos pioneiros sobre este tema e ainda é, provavelmente, o mais lembrado.

Ele publicou o livro, Defensible Space: Crime Prevention Through Urban Design (Espaço Defensável: Prevenção da criminalidade através da concepção urbana) em New York, 1972 onde abordou o assunto.

Este conceito é utilizado, principalmente, na segurança pública, mas que também pode ser usado nas empresas.

Originalmente o CPTED tem por objetivo diminuir a percepção do medo e dos delitos de oportunidade através do desenho urbano e envolve a colaboração da comunidade.

Ele tem como premissa básica que tanto a adequação do desenho urbano, como o eficiente uso do meio ambiente, possam levar a uma redução na oportunidade de delitos e na sensação de medo.

 

Um dos princípios utilizados é a vigilância natural que busca dar maior visibilidade do espaço, da área onde as pessoas se reúnem ou permanecem por um determinado tempo.

Ela também possibilita maior controle dessa área, justamente porque ela fica mais visível em todos os sentidos. Desse modo, o meliante ficará exposto e tende a ficar inseguro em praticar um delito, pois pode estar sendo observado.

Este mesmo conceito pode ser usado nas empresas, principalmente nos locais considerados críticos ou onde os funcionários permanecem por algum tempo, de modo que eles possam ser observados por qualquer pessoa, o que trás uma sensação de segurança maior, além de criar condições para se evitar o vandalismo, desvio de produtos ou pequenos furtos, por exemplo.

Locais bem iluminados também trazem esta sensação de segurança, pelo mesmo motivo – a pessoa sabe que pode ser vista por outras pessoas. Isso também desencoraja o meliante que, na proporção inversa, sabe que pode ser visto quando estiver praticando um crime ou ato de vandalismo.

Por exemplo:

As portas e janelas devem ser observadas por todos, para isso é necessário a desobstrução da visão.

Esses locais devem ficar expostos, assim como caixas eletrônicos dentro das empresas. Deixá-los num canto, fora da visão das pessoas é expor o funcionário, criando uma condição de risco. É deixá-lo inseguro na hora de fazer um saque, por exemplo.

Os locais bem iluminados e que dão condições de visão às pessoas que passam ou que apareçam na janela, por exemplo, inibe a ação do meliante ou de um funcionário que queira cometer um ato de vandalismo na empresa.

Quando o muro é alto ou o portão é totalmente fechado pode dificultar a escalada e o acesso, mas o marginal sabe que, a partir do momento em que ele conseguir entrar, ele não será visto pelas pessoas que passam na rua ou que estejam nos prédios vizinhos, por exemplo. Nesse caso, estamos proporcionando condições do marginal agir. Diferente do caso de grades onde você pode observar o que acontece do lado de dentro.

Esse é mais um princípio usado na segurança pública que pode muito bem ser adaptado e utilizado na segurança das empresas, pois os marginais são os mesmos e as pessoas possuem as mesmas sensações de segurança ou insegurança.

Essa atenção especial pode ser dada principalmente nos locais de carga e descarga, nas balanças rodoviárias, nos almoxarifados e em locais críticos como a sala de processamento de dados.

Este procedimento é apenas mais uma ferramenta a ser usada pela segurança, que em conjunto, integrada aos sistemas de segurança, trarão mais vigilância a determinados locais da empresa, facilitando seu monitoramento.

 

Esse é o motivo da necessidade de apoio dos funcionários, sabemos que a segurança depende de todas as pessoas e não só do corpo de segurança da empresa.

Mais uma vez a integração, desta vez do corpo de segurança com os demais setores, torna-se indispensável.

A idéia antiga existente - infelizmente, até hoje em alguns setores da segurança, de que o segurança deve ter cara de mau, andar desconfiado, não falar com ninguém que não seja do “meio” e só aparecer nas horas em que os problemas ocorrem, há muito já foi ultrapassada.

A “onda” é outra. O corpo de segurança da empresa deve fomentar a integração com os demais setores, buscar o apoio dos funcionários, tentar ajudá-los em todos os aspectos relacionados a segurança, seja ela empresarial, pessoal ou familiar.

Vejam que as ferramentas mais modernas de análise de risco, por exemplo, necessitam do apoio e informações de diversos setores da empresa, não só o da segurança.

A implantação de um projeto de segurança deve contar com o apoio dos funcionários e isso só é possível através de uma campanha especifica onde o projeto apresente uma face amigável aos empregados, de apoio, de compartilhamento na busca de soluções de segurança.

Uma ferramenta muito utilizada para este trabalho chama-se endomarketing, que, ao contrário do que se pensa, não deve ocorrer apenas durante a implantação de um projeto de segurança.

O corpo de segurança da empresa deve estar presente o ano todo, mostrando o que tem feito e o por que faz.

Se o setor não tem motivos para fazer esta divulgação deve repensar sua missão. Será que ela está de acordo com a política da empresa, ou o gestor de segurança esta sendo mais realista do que o rei?

O endomarketing nada mais é do que o marketing interno, voltado para o público interno. A idéia é mostrar o que o setor faz e para que faz, quebrando o paradigma de que a segurança fica vigiando os empregados, buscando erros para comunicá-los e, conseqüentemente puni-los.

A segurança deve cumprir seu papel que é de minimizar as perdas e, conseqüentemente, aumentar os lucros da empresa através das ferramentas adequadas da segurança empresarial, de acordo com as políticas da empresa.

Essas são apenas algumas ferramentas para que a segurança possa atuar nas suas atividades básicas, buscando sempre a melhoria continua da prestação de serviço, de modo a mitigar os riscos para as pessoas e o patrimônio.

Cláudio dos Santos Moretti - CESASE - é especialista em Segurança Empresarial (MBA) pela FECAP-SP, professor universitário do curso de Graduação Tecnológica em Gestão de Segurança Privada da UNIP, em Santos e diretor de cursos e certificação da ABSEG _ Associação Brasileira de Profissionais de Segurança.

Fonte: www.administradores.com.br

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