O crescimento do mercado de segurança e o preparo profissional

A segurança privada era vista apenas na figura do vigilante e seus supervisores, porém com o crescimento da criminalidade e suas formas, cada vez mais criativas de agir acabou por se transformar numa das alavancas motrizes para o crescimento do mercado de segurança provada, aliadas a tecnologia, também cada vez mais acessível em quantidade e qualidade.

 

A segurança privada no Brasil vem crescendo desde sua criação, a partir da publicação dos Decretos-Lei nº 1.034, de 09 de novembro de 1969 e nº 1.103, de 03 de março de 1970.

A segurança privada era vista apenas na figura do vigilante e seus supervisores, porém com o crescimento da criminalidade e suas formas, cada vez mais criativas de agir acabou por se transformar numa das alavancas motrizes para o crescimento do mercado de segurança provada, aliadas a tecnologia, também cada vez mais acessível em quantidade e qualidade.

Além disso, o próprio início da abertura econômica nos anos 90/92 com o então presidente Collor acabou trazendo a realidade competitiva entre as empresas que a partir daí começam a competir globalmente e a fórmula da lucratividade foi reajustada.

O custo então precisou ser adaptado ao mercado, sendo necessário diminuir os custos internos (produção, desvios de produtos, perdas de materiais, etc.) de forma que o empresário começou a dar mais importância a estas perdas, inclusive porque as margens de lucro foram diminuídas, e a segurança começou a atuar diretamente na diminuição da perda, consequentemente na diminuição dos custos internos para a produção ou prestação de serviços.

A segurança patrimonial, como forma de operação presença, fazendo parte apenas dos custos sem trazer nenhuma rentabilidade no sentido de diminuição de perdas começa a ser questionada e a procurar novas formas de atuação.

Além desta mudança de foco, teve início a utilização da internet, alavancando a área de proteção das informações sensíveis.

Essa necessidade foi acelerada após o período da “guerra fria”, (1945 – 1991, com o fim da União Soviética).

Perceba que neste período o cenário de atuação da segurança muda enormemente para todos que labutam neste segmento e começa a ganhar outros contornos que se somam a esta reestruturação produtiva, também neste período, da terceirização (outsourcing, como preferem alguns), se bem que a terceirização também teve início com a prestação de serviço de segurança (Decretos-leis 1.212 e 1.216, de 1966 que autorizam a prestação de serviços de segurança bancária por empresas interpostas na relação de trabalho), mas ela realmente ganhou destaque na década de 90.

Pouco depois, com a manutenção de um cenário mais competitivo, que perdura até hoje, sendo a globalização a grande vilã dessa história, a segurança empresarial começa a atuar num nível tático, de gerenciamento e, em algumas pouquíssimas empresas, no estratégico.

Com isso, agrega além do gerenciamento de riscos a Inteligência, segurança das informações e sistemas eletrônicos, buscando metodologias adotadas mundialmente para se traduzir na eficácia dos investimentos da segurança empresarial como um todo.

É neste contexto que surgem os questionamentos sobre o preparo dos homens de segurança em todos os níveis, não só dos vigilantes.

A adoção de normas ISO (através das NBR da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas) com métodos experimentados e testados em vários países já que uma norma ISO (International Organization for Standardization ou Organização Internacional para Padronização) é aceita em mais de 170 países e são aceitas apenas praticas já testadas e avaliadas com resultados positivos, só corroboram com as boas praticas da gestão de segurança.

Na formação das pessoas que atuam nesta área ainda estamos engatinhando, baseados principalmente em conceitos americanos e europeus, pois eles têm muito mais know-how do que nós. 

Para os pioneiros, os EUA e a Espanha formaram as bases para os treinamentos acadêmicos.

Ainda assim, os cursos em universidades começaram no Brasil com cursos de extensão universitária e hoje algumas universidades oferecem cursos de graduação em segurança privada e até cursos de pós-graduação lato sensu.

Os cursos de gestão de segurança privada estão em diversos estados e uma das formas de reconhecimento do gestor de segurança, além do seu diploma legal, são as certificações.

Essa necessidade de reconhecimento e diferenciação no mercado começou com a ASIS – Advancing Security Worldwide, fundadahhhhhh em 1955 nos EUA que criou em 1977 a certificação de CPP (Certified Protection Professional), certificado renovável a cada três anos.

No Brasil, em 1998 foi criada a ABSO – Associação Brasileira dos Profissionais em Segurança Orgânica, que em 2005 lançou a primeira prova de certificação, o CES – Certificado de Especialista em Segurança, renovável cada cinco anos.

Em 2005 foi criada a ABSEG – Associação Brasileira de Profissionais de Segurança lançou em 2007 a certificação de ASE – Analista de Segurança Empresarial, com certificação renovável a cada três anos.

Para concluir quero demonstrar que aqueles que possuem a certificação, seja ela qual for, tem a representatividade de uma Associação que é expressiva na nossa área de atuação, seja ela nacional ou internacional e a manutenção destas certificações exige do especialista a atualização constante, além da sua participação no mercado de segurança.

Cada vez mais estes profissionais serão mais exigidos devido a dinâmica da criminalidade e de sua abrangência em relação às áreas da empresa, o que mostra que o mercado também exigirá cada vez mais profissionais qualificados para o desempenho da gestão de segurança empresarial.

É fácil observar a quantidade de novas normas e metodologias adotadas pela ISO e, consequentemente pela ABNT, o que demonstra que, cada vez mais, o conhecimento técnico será tomará o lugar de oportunistas sem preparo para atuação neste mercado, cada vez mais competitivo.

Para os que não acreditam nessas mudanças, basta olhar para os últimos trinta anos e verá o quanto a sociedade mudou em todos os sentidos e a rapidez com que vem mudando a cada novo ano, cheio de oportunidades, repleto de desafios.

 

 Cláudio dos Santos Moretti - CESASE - é especialista em Segurança Empresarial (MBA) pela FECAP-SP, professor universitário do curso de Graduação Tecnológica em Gestão de Segurança Privada da UNIP, em Santos e diretor de cursos e certificação da ABSEG _ Associação Brasileira de Profissionais de Segurança.

Fonte: www.administradores.com.br

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